Problemas ambientais urbanos: o déficit habitacional e as ocupações irregulares

Publicação 02/05/2019

Moradias construídas sem garantia colocam em risco a vida da população dos centros urbanos

 

A recessão enfrentada pela população brasileira nos últimos anos, entre outros fatores, teve impacto direto nas pesquisas sobre déficit habitacional. Somente entre 2015 e 2017, a carência aumentou em mais de 220 mil imóveis. Dados como esse apontam para um grave problema urbano dos grandes centros do país: ocupações irregulares.

“Temos esse caso muito recente na comunidade da Muzema, no Rio de Janeiro, que envolve uma série de questões”, lembra a Profa. Ma. Isabel Cristina de Mattos Silva Delgado, que leciona Geografia na Escola de Aplicação. A legislação ambiental não permite a ocupação de áreas de preservação permanente, mas famílias encontram nesses locais a esperança da moradia. “É a receita da catástrofe: desmatamento da encosta, ocupação irregular, casas construídas sem garantia, acúmulo de lixo, chuvas fortes que vão provocando a retirada da camada superficial do solo e causando problemas graves de infiltração nos prédios”, explica a professora.

Deslizamentos podem ser comuns onde há vegetação nativa e muitas chuvas, como no Rio de Janeiro, mas o caso da Muzema vai além da questão ambiental. “Quando isso acontece em região habitada, vira uma tragédia, com muitos feridos, muitos mortos, e ninguém se responsabiliza”, pontua. “Muitas vezes, as pessoas são enganadas porque têm o sonho da casa própria, a impossibilidade de ir para outro lugar, então acabam ocupando essas áreas. São vários casos parecidos”.

Após o desabamento, os edifícios que sobraram serão demolidos e as pessoas retiradas. “E serão levadas para onde?”, a geógrafa indaga. “Não há políticas públicas que dêem conta de realocar essas pessoas da maneira adequada. São famílias inteiras, crianças, idosos, deficientes, é um problema muito sério”.

O déficit habitacional no Brasil é grave e, segundo a professora, políticas públicas, adequadamente aplicadas, poderiam ser a solução. “Apesar de haver inaugurações de casas populares, entregas de loteamentos, isso ainda é insuficiente. É um problema difícil de ser resolvido, que envolve desde políticas públicas até a postura da população. Tem de haver uma ação conjunta para começar a amenizar a situação”, finaliza.

Marina Lima

ACOM/UNITAU

Foto: Marina Lima